
PROFESSOR JUARI PATAXÓ
Preocupadas com o desaparecimento da “língua-mãe” nas aldeias, diversas etnias desenvolvem projetos para ensinar suas crianças.
Das etnias presentes nos IX Jogos dos Povos Indígenas, o povo Paresi Haliti é uma das que desenvolvem projetos sobre as questões lingüísticas. Em suas aldeias, eles alfabetizam as crianças tanto no idioma deles, que é o PARECI, quanto na língua portuguesa.
O líder dos Paresi, Pajé Zokezo Maiake, afirmou que o ensino da “língua-mãe” nas aldeias é fundamental para fortaceler a cultura da etnia. “Ensinar às crianças a nossa língua deixa nosso povo mais forte e sábio” enfatizou o Pajé.
Assim como os Paresi, outras etnias se preocupam com a educação indígena. Os Tapirapé, nativos do Tocantins, falam a língua Tapirapé, do tronco lingüístico Tupi Guarani, e estabelecem critérios rigorosos na educação de suas crianças. Durante a alfabetização, as crianças aprendem apenas a língua nativa e somente a partir da quinta série, começam a estudar a língua portuguesa.
Essa iniciativa de priorizar a língua-mãe desperta nos jovens um desejo de manter sua cultura viva. A indígena Marawi Tapirapé está cursando pedagogia e conta que é fundamental despertar nos jovens o amor pelo seu povo.
O povo Pataxó, natural da Bahia, também desenvolve aulas específicas da língua PATXOHÃ nas aldeias. Segundo o professor da gramática Pataxó, Juarí Pataxó, é importante preservar a língua para garantir a continuidade de seu povo. “O ensino da língua Pataxó desde a alfabetização é obrigação nas escolas das aldeias” conta com orgulho.
O professor informa que na etnia Pataxó existem 22 aldeias, e em cada uma delas existe uma escola. O indígena trabalha como professor há quatro anos e, junto com outros sete professores indígenas, está desenvolvendo cartilhas para reforçar o estudo nas aldeias. “O material está pronto, mas falta organizá-lo e publicá-lo” ressaltou. Juarí espera que em 20 ou 15 anos a gramática Pataxó volte a ser perfeitamente utilizada nas aldeias. Apuanã Pataxó, jovem guerreiro, está cursando o segundo ano do ensino médio. Para ele, a língua Pataxó é a mais bonita: “gosto do meu povo, e da nossa língua, e aprendê-la na escola me dá mais força para defender minha cultura” afirmou.
Foto:Anna Virgínia Cunha
Fonte:Anna Virgínia Cunha / Tenõde Porá UCB News
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Tenõdé Porã UCB News
Universidade Católica de Brasília – Comunicação Social – NUCLAM






