Nível do lago diminui em Sobradinho e atinge 26% e afeta índios Trukás

Seca ameaça Lago de Sobradinho

 

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Cerca de 500 metros separam a casa da pescadora Maria do Carmo Mendes, da borda do Lago de Sobradinho (a 560 km de Salvador, na região norte). O nível do reservatório diminuiu muito nos últimos cinco meses e hoje registra cerca de 26% de sua capacidade total de armazenamento.

Maria do Carmo conta que em época de período chuvoso a água fica a pouco mais de 3 metros da casa e o barco que antes ficava na água está longe. A seca na região norte do Estado está deixando muitas comunidades sem água, fazendo municípios decretarem situação de emergência e obrigando as famílias a comprometer parte da renda para a compra de água em carros-pipa.

O Canal da Batateira que leva água de Sobradinho para dezenas de comunidades da região está seco e era a salvação de muitos agricultores e criadores. Willys Nunes, da Associação de Fundo de Pasto Canaã afirma que é preciso criar alternativas de convivência para que a população não passe sede.

“É necessário pelo menos duas bombas de água potentes para conseguir levar água até as comunidades mais sofridas como as que só dependem do canal a exemplo da Chapadinha, Boa Sorte ou Lago Azul”, relata. Segundo Willys existe o projeto de uma adutora que está em fase de implantação, mas a situação este ano da seca é pior que anos anteriores.

“A última vez que o lago de Sobradinho passou por uma redução como essa foi em 2001. É necessário que medidas emergências sejam tomadas”, alerta Willys Nunes. Ele diz que a prefeitura ajuda com carros-pipa, mas a quantidade não é suficiente para suprir a demanda. Os povoados de Tatuí (I a V), Santa Tereza e Serra Verde seriam os primeiros beneficiados com a água da adutora se o canal tivesse com o nível mínimo de água.

Cerca de 5 km do centro de Sobradinho, na aldeia dos índios Trukás, a situação é semelhante à vivida pelos agricultores da região. As 25 famílias que moram na aldeia não sabem mais o que fazer para sustentar as culturas de mandioca, milho, amendoim, feijão, melão, mandioca, banana, melancia e cebola que está sendo colhida antes do tempo para não perder. “A necessidade imediata é de água. Como o canal está seco e não chove, estamos sem ter como molhar a plantação. Não temos reservatórios de água para guardar e quando conseguimos juntar dinheiro para pagar um carro-pipa é para consumo humano”, informa a cacique Rita Prosperina.

Riscos – Segundo a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) houve necessidade de utilização de energia acima do esperado devido determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A falta de água nas regiões Sul e Sudeste do País, fez com que a Chesf cedesse energia, mas a empresa garante que por ser sistema interligado e haver previsão de chuva para o Vale do São Francisco, não há riscos de apagão.

A Chesf informa que esses 26% podem subir rapidamente no período chuvoso que compreende de novembro a abril de 2008. Apesar disso, a primeira semana de novembro está chegando ao fim sem indícios de chuva o que preocupa a população.

O Grupo de Trabalho do São Francisco, criado para acompanhar as ações do governo federal na Bacia do Rio São Francisco iniciou por Sobradinho as visitas que também ocorrerão em Casa Nova, Remanso e Sento Sé. A proposta é ouvir as comunidades que vivem às margens do São Francisco para tratar de assuntos referentes à sustentabilidade hídrica, saneamento ambiental e acesso à água.

Júlio Rocha, superintendente de Recursos Hídricos do Estado assegura que o objetivo das visitas técnicas “é estabelecer diálogo com as comunidades, quilombolas, indígenas e ribeirinhos no sentido de elaborar o Plano Estadual de Revitalização da Bacia do São Francisco”. Em visita à aldeia dos Trukás, a comissão pôde presenciar as dificuldades vividas pelos índios e também as de muitas comunidades de fundo de pasto e agricultores familiares.

CRISTINA LAURA, do A Tarde

Fonte: Ivan Cruz / Agência A Tarde

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