Pataxó Hã-hã-hãe, O índio não sai de sua terra nem depois de morto!

 

 

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O Governo está nos propondo que abramos mão de nosso direito às nossas Terras. Nós índios vivemos e morremos ligados às nossas Terras, plantamos nelas, vivemos nelas, criamos nossos filhos e nossos pais nos criaram nelas. Como podemos abrir mão disso? Estaríamos deixando nossas vidas para traz!

 

Nossa história enquanto povo! Nossa luta é muito grade, já vivemos muito com ela. Primeiro nos trataram como animais selvagens e no passado muitos de nós tivemos que ser “relocados” para cá, disseram que essas terras estavam “reservadas” para que pudéssemos viver nossas vidas. Decretaram isso em leis. Depois nos tomaram essas mesmas terras, alegando que arrendando elas o dinheiro seria para nosso benefício. O governo deste estado, quando era de direita nas mãos de Antônio Carlos Magalhães, decidiu doar nossas terras para esses ocupantes não índios. Agiu de forma ilegal, mas levamos muito tempo para conseguir abrir uma ação contra essa doação, e já temos 25 anos sem uma sentença. Com o tempo nos organizamos melhor, e estamos conseguindo muito aos poucos retomar por nossos próprios esforços uma parte dessa terra. Nessa luta muitos de nós morremos e ainda continuam tentando nos matar.

 

 

 

Agora ajudamos a eleger um novo governo, uma nova administração, votamos em Jaques Wagner, esperando dele que fizesse a justiça que tanto esperamos. Por isso fomos ao Governador pedir que não recorra mais no nosso processo e nos ajude corrigindo os erros das administrações passadas que doaram ilegalmente nossas terras a fazendeiros da região nos causando grande sofrimento.
Mas o governador nos disse que ele não quer nos ajudar nisso. Que pelo contrário, pensa como os fazendeiros e como o presidente da FUNAI que disse que índio já tem muita terra. O governador nos propôs trocar nosso direito à terra por projetos e beneficiamentos, mas isso já é uma obrigação constitucional do Estado Brasileiro. O governador se propôs então a nos dar o que já é uma obrigação do Estado.

 

 

 

Agora estão querendo resolver a questão à revelia de nossa comunidade, dizem que lideranças nossas concordaram com uma redução de nossas terras. Eu sou um dos Caciques daqui e não concordo absolutamente com isso. Garanto que a maioria de nós índios pensa igual a mim. Nossas terras são inegociáveis, nossa briga é pela terra toda que nos é de direito! Não somos loucos de brigar toda uma vida, perdendo vidas para abrir mão a troco de benefícios que já nos são garantidos pela Constituição.

 

 

 

A FUNAI já havia tentado nos comprar no passado, nos trouxe dinheiro e transferiram alguns para Almada e Nova Vida, mas outros ficaram e resistiram! Agora esta mesma equipe da FUNAI, Cláudio Romero, Antônio Botelho, Aldemir, Lucio Flavio e Leila estão retornando aqui para tentar novamente acabar com o nosso direito e com o direito de nossas gerações futuras à terra.
Nós não podemos entregar nossa terra. Ela não nos pertence apenas, é também de nossos filhos e netos que ainda estão por vir! E quanto aos que morreram por essa terra? Suas memórias seriam profanadas! Além do mais, negociar e alienar terra indígena é inconstitucional e isso seria uma violação às leis do País.

 

 

 

Gostaríamos muito que o Excelentíssimo Governador Jaques Wagner refletisse melhor em seu posicionamento. Votamos nele confiando que seria um homem justo e que defenderia e garantiria o cumprimento da lei maior de nosso país que é a Constituição Federal.

 

 

 

Nailton Muniz Pataxó Hã-hã-hãe (Etnia Tupinambá)

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