INDÍGENAS EXIGEM RESPEITO A COMPROMISSOS DA ONU

SANTIAGO DO CHILE, 7 NOV (ANSA) – Dirigentes indígenas do Conselho de Todas as Terras e do Parlamento Indígena da América, irão pedir aos 22 presidentes ibero-americanos – reunidos a partir de amanhã na cidade de Santiago para a XVII Cúpula Ibero-Americana – que cumpram com os compromissos internacionais ligados aos direitos indígenas.

“Os presidentes, quando visitam qualquer país da América, devem levar em conta que existem povos indígenas, não podem falar de sociedade em termos genéricos”, declarou à ANSA o encarregado das Relações Internacionais do Conselho de Todas as Terras, o índio mapuche Aucán Huilcamán.
No último mês de setembro a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas e os dirigentes querem comprometer os governos Ibero-americanos a implementar todas as medidas necessárias para cumprir com o que está presente no documento da ONU.
“Este instrumento de direitos humanos será o marco jurídico de direitos internacionais que os governos terão que respeitar”, ressaltou Huilcamán.
O interesse indígena, acrescentou, aponta para que os presidentes respeitem os artigos 3 e 4 da Declaração, que abordam o direito à livre determinação política, econômica, social e cultural, além do direito à autonomia política. “Queremos saber concretamente como os presidentes irão cumprir com a Declaração recém adotada pelas Nações Unidas, particularmente no que diz respeito ao direito à livre determinação, e se estão dispostos a respeitar a criação de governos indígenas”, afirmou Huilcamán.
A partir de amanhã uma centena de indígenas da região irão se reunir em uma “cúpula” para elaborar uma carta que pretendem entregar ao secretário geral ibero-americano, Enrique Iglesias.
Huilcamán pediu ao governo da presidenta Michelle Bachelet que interceda par que os dirigentes indígenas sejam recebidos por Iglesias.
“Confio que o governo do Chile irá me apoiar, pois, do contrário, me deixa a única opção de sair às ruas para protestar e não gostaria de sair junto a muitos indígenas com uma manifestação até o centro de Santiago. Confio que o governo vá ajudar, seria coerente com a democracia”, advertiu.
Huilcamán confirmou que a declaração indígena será entregue aos presidentes da Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e ao vice-presidente de Cuba, quando estes estiverem presentes – neste sábado – em um grande ato de fechamento da “cúpula pela amizade e integração dos povos ibero-americanos”, atividade paralela à Cúpula Ibero-Americana.
Huilcamán criticou o conceito ibero-americano, o qual qualificou como “colonial do ponto de vista histórico”. “É um conceito de dominação, da vergonhosa dominação, isso não posso admitir, sou mapuche, não ibérico”, comentou.
Segundo o dirigente, a Cúpula Ibero-Americana será realizada dentro do que denominou “novo colonialismo contemporâneo, pois, quando se introduz o conceito ibero-americano, estão mantendo o conceito colonial do ponto de vista histórico”. (ANSA)

Fonte: ANSA


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