Violência é tema de debate na Reserva

Comunidade indígena de Dourados se reuniu com autoridades

para debater sobre a onda de violência nas aldeias 

 

DOURADOS – A comunidade indígena de Dourados, formada por índios das etnias Caiuá, Guarani, Terena, se reuniram durante todo o dia de ontem na escola Tengatuí Marangatu, também conhecida como o Ceu do Jaguapiru, para debater sobre a onda de violência que tem assolado a Reserva Indígena do município.
De janeiro a outubro deste ano, a polícia já registrou 14 homicídios e 13 suicídios dentro da Reserva. A falta de segurança a tempos vem revoltando a comunidade que agora resolveu se mobilizar em busca de apoio.
Durante o evento, estiveram presentes lideranças indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó, autoridades políticas, representantes de organismos policiais e de entidades ligadas ao índio.
No debate, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Polícia Federal foram os mais criticados pelas lideranças. Já a Polícia Militar e o comandante do 3º Batalhão da PM, Coronel Guilherme Gonçalves, foi elogiado pelo trabalho realizado dentro da Reserva Indígena.
O capitão da Aldeia Jaguapiru, Renato de Souza, criticou, a ausência da PF dentro das terras indígenas, a falta de interesse do poder público em resolver o problema e citou várias falhas cometidas pela Funai. Todas as críticas foram feitas na frente dos representantes de cada órgão.
“Nossas aldeias estão abandonadas pelos políticos, pela Polícia Federal e Funai. O posto da Funai está agora lá na cidade e só emprega branco e ainda discrimina os nossos patrícios. Toda vez que ligo para a PM eles vêm, mas isso não acontece com a Federal”, desabafou o capitão Renato na frente das autoridades.
O cacique Getúlio de Oliveira, disse que a comunidade está insegura depois que foi desativada a Operação Sucuri. “A ausência da polícia tem feito aumentar a violência nas aldeias e deve piorar ainda mais neste período de final de ano. Todo mundo sabe que drogas e bebidas estão entrando na Reserva e ninguém faz nada”, declarou o líder indígena.
A índia Priscila Maciel que era cunhada de Mário Guimarães, que assassinado dentro da Reserva Indígena, aproveitou a presença das autoridades para manifestar a sua indignação com a falta de segurança nas aldeias.
“Meu cunhado foi morto por causa de ciúme. Nós parentes, conseguimos encontrar o assassino, deter e amarrá-lo em uma árvore, mas a polícia não veio. Ele acabou fugindo, permanece solto e ainda está ameaçando a nossa família. Queremos que a Justiça seja feita dentro da Reserva, para podermos viver em segurança”, desabafou a parente da vítima.
Durante o evento também foi elaborado um relatório com propostas da comunidade, que servirá de base para a elaboração do “Plano de Combate a Violência em Terras Indígenas”.

Fonte: João Rocha – O Progresso

http://www.progresso.com.br 

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s