índios Bororo-boe nos jogos indígenas e a tradição do arco e flechas

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Olinda (PE) – Índio bororo-boe de Mato Grosso com a delegação de seu povo na nona edição dos Jogos dos Povos Indígenas 

 

 Olinda (PE) – Os atletas reforçam a pintura do corpo. Alguns tiram as saias de palha e os ornamentos – colares ou cocares. Depois, escolham suas flechas. A trinta metros, está o alvo: um painel de três metros com desenho de um peixe tucunaré. Ontem (25), ao final da tarde, começou a competição de arco e flecha, na arena montada na praia do Bairro Novo, em Olinda (PE).
Uma das dez modalidades da nona edição dos Jogos dos Povos Indígenas, o arco e flecha tem o objetivo de somar mais pontos. Cada parte do peixe tem um valor diferente. Uma flecha no olho vale 40 pontos, na cabeça 13, na barriga seis e nas barbatanas três. Cada atleta tem direito a três tiros. Na eliminatória, dos 48 arqueiros, 12 seguem na disputa.
Diferentemente da competição olímpica, em que os arcos e flechas são comprados pelos atletas e custam entre R$ 500 e R$ 2 mil, nos jogos indígenas o utensílio é confeccionado pelos próprios participantes.
Uapodonepá,19 anos, do povo Umutina (MT), disse que o seu boiká (arco) é feito de tucum e o ixó (flecha), de taquara. “Tudo [sai] das árvores”.
Classificado para a próxima fase da prova, marcada para a tarde de hoje (26), Uapodonepá comemora. “O arco e flecha representa um símbolo importante para nós. Aprendi a usar com quatro anos”.
Ao falar de suas tradições, revela porque está todo pintado de preto. “Na caça com arco e flecha, pintamos o corpo com jenipapo para os animais não sentirem o nosso cheiro e se espantarem.”
Lado a lado, outros dois atletas se destacam. Não pela pontuação, mas pela idade. O mais novo, Olavo Boipôra tem 7 anos. O mais velho, Antonio Rondon, 60 anos. Apesar de nenhum dos dois ter se classificado para a fase seguinte, representam uma tradição cultural transmitida de pai para filho, com peculiaridades nos diversos povos.
O curumim do povo Bororo-Boe (MT) não fala português. O tio, Paulo Bororo, traduz as expressões do menino. E diz que ele está feliz. “Isso significa que a tradição não vai se perder”. O bororo conta que, além de ser utilizado na caça e na pesca, o arco e a flecha têm um significado espiritual. “São feitos para os guerreiros matarem uma onça quando morre um bororo.”
O velho bakairi (MT) também não fala muito bem a língua dos brancos. Conversando bem devagar, diz que em sua aldeia, antes da caça, os índios pingam nos olhos uma preparação de ervas feita com as folhas da árvore de amescla, “para dar força e coragem”. O mesmo líquido é passado com uma espécie de pente nas mãos e braços.

  Foto: Valter Campanato/ABr
Fonte: Isabela Vieira / Agencia Brasil
http://www.agenciabrasil.gov.br

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