Aldeias dos guaranis fazem o primeiro encontro no RS:ESTRELA VELHA – PARTICIPANTES DEBATERAM A MEDICINA TRADICIONAL

luta-por-respeito.jpg
CACIQUE ACOSTA: LUTA DOS ÍNDIOS POR RESPEITO E PELO RECONHECIMENTO

Fortalecimento da medicina tradicional guarani através do debate entre as lideranças políticas e religiosas indígenas. Esse foi o principal fundamento do 1º Encontro Estadual de Karay e KunhaKaray Kuery dos índios Mbya Guarani, realizado em Linha Dalcin, interior de Estrela Velha, na aldeia Flor da Mata. As atividades se desenvolveram de terça a quinta-feira
O evento teve a participação de aldeias de diversas cidades gaúchas, entre elas Saltinho, de Salto do Jacuí, e Koendju, de São Miguel das Missões. De Viamão vieram Estiva, Catagalo e Itapuã; da cidade de Barra do Ribeiro veio a aldeia Coxilha da Cruz; do município de Maquiné, Interlagos e Catagalo II; de Varzinha, Caraá; e de Riozinho, a aldeia de Itapotã. O encontro contou com apoio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Conselho de Missão entre Índios (Comin), Prefeitura de Estrela Velha, Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), entre outras entidades.
Durante dois dias, os índios participantes debateram a medicina tradicional guarani, a qual vem sendo mantida, dentro das possibilidades, por gerações. No terceiro dia do encontro, a aldeia foi aberta para o Giruá (homem branco), momento em que os índios expuseram suas discussões e pediram respeito, principalmente quanto à questão da demarcação de terras. “Antigamente tínhamos uma área vastíssima. Hoje, além de sofrermos com o preconceito, precisamos lutar pelo nosso espaço”, disse o cacique da aldeia Flor da Mata, João Paulo Acosta, 34 anos.
O cacique salientou que o principal objetivo do encontro foi fortalecer a cultura e mostrar que os guaranis têm união. “É muito importante ouvirmos os nossos velhos. Os Karay e KunhaKaray Kuery, para quem não sabe, são nossos líderes religiosos, homens e mulheres, aqueles que nos curam”, explicou. Ele ainda reiterou que encontros como este já haviam sido feitos, mas não havia nenhum documento para comprovar as ações e as reivindicações debatidas.

 

 indios-as-margens-de-rodovias.jpg

GONÇALVES:EXISTEM ÍNDIOS AS MARGENS DE RODOVIAS
CORRENDO RISCO DE MORTE


DESCONHECIMENTO
João Paulo explicou que, principalmente no interior, ainda há um desconhecimento da cultura guarani. “Trabalhamos com artesanato e queremos que nossas raízes sejam fortes o suficiente para não morrerem. Mesmo assim, sinto preconceito no olhar das pessoas de fora da aldeia.” Ele também acredita que este trabalho gerará fruto. “Meu pai era um cacique guarani muito famoso no Estado. Depois que ele morreu fiquei no lugar dele e quero honrá-lo.”
O coordenador da Comissão de Terra Guarani, Maurício da Silva Gonçalves, de Viamão, salientou que o evento foi importante pela união das lideranças. A principal luta é pelo reconhecimento de terras. “Temos 37 áreas. Reconhecidas são 23 lotes e regularizadas apenas sete. Precisamos urgentemente pressionar os governos para demarcar a nossa terra. Existem índios guarani que vivem às margens de rodovias correndo risco de morte.”
 
MEDICINA TRADICIONAL
A enfermeira da assessoria de saúde indígena da Funasa, Juliana Dourado Patzer, informou que este é um momento expressivo da cultura guarani do Estado. “Dizer que eles não são mais índios porque usam roupa e têm alguns hábitos do homem branco é coisa de quem não conhece a cultura. Eles não vivem em uma redoma e a influência da cultura ocidental é muito forte”, disse. Em relação à saúde, Juliana afirmou que, após muitos debates, foi encontrado um senso comum. “Houve uma grande discussão sobre a entrada da medicina nas aldeias. Tudo precisa passar pela aprovação do cacique. A medicina tradicional sempre está em primeiro lugar, depois vem o apoio da equipe de saúde. Precisamos nos adequar mas, hoje, temos uma sintonia perfeita.”
A assessora técnica da equipe multidisciplinar, Teresinha Maraskin, disse que atende a aldeia Flor da Mata e que, no local, há uma preocupação em preservar as origens da medicina tradicional guarani. “Temos aqui em Estrela Velha uma aldeia de 26 pessoas. Damos apoio médico e odontológico aos índios no Posto de Saúde de Vila Itaúba e podemos dizer que doenças praticamente não existem aqui. Só as consideradas normais. Eles plantam para se alimentar e vendem artesanatos. Adoram passear também. Com ajuda, eles construíram casas com água potável e a luz está chegando. Os índices epidemiológicos são bons”, comemoraram.

Fonte:Emanuelle Dal-Ri / Gazeta do Sul
http://www.gazetadosul.com.br

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s