Comentário do IX Jogos dos Povos Indígenas Por Wilson Matos da Silva

W ilson Matos da Silva*
* É Índio Residente na Aldeia Jaguapirú, Advogado, Pós-graduado em Direito Constitucional, Presidente da CEAI/OABMS Comissão Especial de assuntos Indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do MS, Membro da CNPI Comissão Nacional de Políticas Indígenas.
E-mail:wilsonmatos@pop.com.br

Tenho falado neste espaço, sobre os males que afeta os nossos povos indígenas. Hoje quero exaltar uma iniciativa que deu certo. Os irmãos Carlos Terena e Marcos Terena, idealizaram o que particularmente chamei de: O Maior Congraçamento Sócio Desportivo e Cultural dos Povos Indígenas do Brasil. “A Maior Festa Cultural Indígena da América Latina”.
Fui convidado à participar da equipe de organização pelo Comitê Intertribal, como Advogado, orientador no direito de uso e difusão da imagem do índio. Com a ausência do locutor oficial do evento, a apresentação do mesmo ficou a também a meu cargo que relembrei meus tempos de radio, segundo Rodrigo Terra um dos organizadores representante do Ministério do Esporte, o locutor oficial agora será Wilson Matos.
Em parceria com o Ministério dos Esportes, o CTI (Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena), realizou nos dia 24/112007, a 01/12/2007, a nona versão do JPIs, nas cidades de Olinda e Recife, Estado do Pernambuco, com o apoio das prefeituras e do governo daquele Estado.
Com o tema “Água é vida, direito sagrado que não se vende”, o JPIs, reuniu aproximadamente mil indígenas de cerca de 34 etnias brasileiras, além de visitantes internacionais. Trazido pela primeira vez a Pernambuco sob a iniciativa do Governo daquele Estado, Durante dez dias, 34 povos indigenas de vários Estados, participaram do IX Jogos dos Povos Indigenas, o evento tem como principal objetivo valorizar e fortalecer a cultura indígena através do esporte e da interação entre diferentes etnias.
Nesse mundo conturbado por contradições entre guerra e paz, aquecimento global, riqueza de poucos e pobreza extrema de muitos; mais uma vez os Povos Indígenas do Brasil, através da organização indígena CIMC Comitê Intertribal Memória e ciência Indígena , com apoio do Ministério do Esporte, reuniu em tor 1.300 indígenas e 34 Povos, oriundos de várias regiões do Brasil, com a realização do IX JPIs.
A área escolhida para as celebrações dos JPIs, recorda grandes conflitos entre brancos e índios, quando de parte a parte morreram muitos em nome da civilização, deixando como resultado de um lado, a extinção de vários povos e aldeias indígenas, e de outro, uma sociedade que tem a cara do branco europeu, do negro e do próprio indígena.
O objetivo é mostrar que um muito futuro prospero existe, e queremos fazer parte dele, com igualdade, respeito e sobretudo dignidade. Os Povos Indígenas tem contornando pressões, ideais político-partidários e dribladas as realidades indígenas locais, para uma verdadeira articulação que lembra Cunhambebe e a Confederação dos Tamoios na guerra contra os colonizadores, quando engaja nessa construção do retrato do nosso País a partir das tradições indígenas.
Diversas aldeias dos mais distantes rincões brasileiros levaram suas flechas, arcos, bordunas, remos, artes e artesanatos, para participar das modalidades, Arco e flecha, Canoagem, Arremesso de lança, Cabo de força, Natação, Corrida de 100m, Corrida de fundo, Corrida de Tora, Futebol masculino, Futebol feminino.
Os povos viajaram ás terras dos Tapuias, Fulni-ô, Pankararu, Xukuru; do saudoso Luiz Gonzaga e de Ariano Suassuna, para realizar o maior encontro Cutural da América Latina.
Alem da celebração do JPIs, outras atividades foram realizadas como o ritual de limpeza exercida por líderes espirituais indígenas, os pajés navegaram sobre as águas poluídas do rio Capiberibe que corta a cidade de Recife.
Dentro da Programação dos JPIs, foi organizado o Fiorum Social Indigenas, vários temas de direitos indígena e indigenista foram debatidos dentre vários expositores destaque para a participação douradenses através da Drª Tatiana Ujacov, e Wilson Matos, Ela com o tema direitos internacional dos povos indigenas, e eu com o tema direito indígena e Direito Indigenista à luz da Constituição de 1988
O sonho de afirmar mais uma vez a identidade cultural e o resgate da auto-estima de cada Povo participante, foi o ponto alto das celebrações, lembrando a diversidade, a diferença entre povos de ritos, costumes, línguas e visões diferentes.
Sem qualquer discriminação ou exclusão, apesar da insistência de alguns e “intelectuais” “especialistas em índios” que sempre falaram pelo índio, em afirmar dentro de seu círculo de atraso e vício colonialista, que tudo será um grande circo, que tudo não passa de folclore ou exotização.
Com essa iniciativa nos os povos indigenas do Brasil, em cada dois anos, temos a oportunidade trocarmos experiências entre os vários povos participantes e de mostrar nossos valores, nossas crenças, nossos ritos para o a sociedade dita civilizada. O importante não é ganhar (vencer) e sim celebrar, com esta idéia após as competições vencidos e vencedores celebravam juntos com danças e cantos tradicionais dos nossos povos!

 

 Fonte: Jornal O Progresso

http://www.progresso.com.br

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