Até 2030, floresta pode perder 50% da área

Relatório apresentado nesta quinta-feira (06) na Conferência sobre Mudanças Climáticas em Bali, na Indonésia, prevê que até 2030 metade da floresta amazônica será derrubada ou afetada pela seca. O texto ratifica ainda outros estudos que apontam que a região se transformará numa savana – vegetação típica do cerrado brasileiro. Até agora, modelos de clima mostravam que o “colapso” da floresta se daria só a partir de 2080.

O texto Os Ciclos Viciosos da Amazônia foi encomendado pela ONG WWF (World Wide Foundation) e é assinado por um dos maiores especialistas em ecologia amazônica, o americano Daniel Nepstad. O documento pretende chamar a atenção sobre o desmatamento e incluir o tema no acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto após 2012 – determinando políticas globais de redução de poluição.

Governo – O Brasil, porém, tem se mostrado dividido acerca da inclusão do tema. Na última terça-feira (04), Thelma Krug, secretária brasileira de Mudanças Climáticas, havia dito que era “prematuro” incluir florestas no acordo. Um dia depois, ela foi corrigida pelo chefe da delegação, Luiz Alberto Figueiredo Machado, que disse que a secretária fora “infeliz” na colocação. Em seguida, Sergio Serra, embaixador extraordinário para mudança do clima, disse que o Brasil não quer ver as florestas na negociação. “Para a delegação brasileira, Bali não é o fórum de discutir se floresta entra ou não”, disse, segundo reportagem do site do jornal Folha de S. Paulo.

Finalmente, na quarta-feira (05), o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que países ricos mostram “duas faces” nas discussões sobre o clima. “Há uma face de bom moço, de quem está defendendo as causas benéficas para o mundo, e uma face, que em geral fica escondida, que é a face protecionista”, afirmou, aludindo às tarifas impostas por Europa e EUA sobre os biocombustíveis brasileiros e à pressão européia para exportar seus pneus reutilizados. “É preciso saber com que voz eles falam na Conferência de Bali e com que voz eles falam na OMC (Organização Mundial do Comércio).”

Urgência – O relatório de Daniel Nepstad, porém, pede urgência ao debate. Diz que, uma vez transformada em savana, a Amazônia não irá recuperar sua riqueza e exuberância biológicas atuais. Cruzando modelos de desmatamento com dados sobre chuvas e também com informações acerca das tendências recentes de expansão da cana, da soja e da pecuária, Nepstad produziu o que ele chama de “um dos piores cenários que eu já vi em 23 anos de Amazônia”. A savanização ocorreria nos próximos 15 a 25 anos, com a emissão de 15 a 25 bilhões de toneladas de carbono até o final do período – algo como quatro vezes o que o Kyoto se propôs a cortar.

A seca prevista pode já ter se instalado. No nordeste de Mato Grosso, onde Nepstad mantém um projeto de pesquisa, 2007 foi um muito seco e quente. “Normalmente faz 32° C na sombra da mata no verão (época de seca). Neste ano fez 38º C”, diz. A fumaça das queimadas pode estar colaborando para secar a floresta, ao inibir a formação de nuvens. O cientista assume, porém, que os cenários propostos por ele são parciais, baseados em apenas cinco anos de dados de desmatamento e dez de precipitação.

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