Bolívia: Guaranis de Tarija discordam de ‘autonomia’

Bolívia: Guaranis de Tarija discordam de ‘autonomia’

No momento em que alguns departamentos do país realizam greves de fome, escrevem estatutos autonômicos e estimulam a população a incorporar assuntos autônomos de fato; o povo indígena Guarani do departamento de Tarija manifesta o desacordo com a ação dos cidadãos e a prefeitura e faz um chamado a primeira autoridade política do departamento e ao presidente do comitê do cidadão, exigindo que as solicitações de Autonomia Departamental sejam encaminhadas dentro da lei.

O povo guarani, que vive no departamento de Tarija, está reunido em torno do Conselho de Capitanias de Tarija, este conselho representa aos guaranis da província O’Connor e a Província Gran Chaco, o representante Justino Zambrana, manifestou que “o Comitê Civil, ao negar a exigência de autonomia indígenas, e só reconhecer e promover as autonomias departamentais, prejudica e fere uma demanda de ancestrais do povo guarani, que é a autodeterminação”; assim, expressa o desacordo com o chamado feito tanto pelo prefeito como pelo presidente do comitê civil que se instaure no departamento uma Autonomia Departamental de fato.


O presidente da Assembléia do Povo Guarani de Itika Guasa, Never Barrientos, disse que a intenção dos cidadãos e a Prefeitura do departamento de Tarija de declararem autonomia no departamento esta fora da legalidade, que rege atualmente a Bolívia. “Recebemos uma solicitação para integrar essa ilegalidade, em suposta defesa do interesses dos povos indígenas, no entanto é só para defender seus interesses”, disse Barrientos em resposta à solicitação, deixando de forma clara sua posição. “Não renunciaremos nossos direitos que estão reconhecidos internacionalmente e que também são leis em nosso país, como a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, que confirma os direitos a autonomia indígena”.

Para Justino Zambrana, “a autonomia indígena é legal e legítima”, recordando que em 13 de setembro a Organização das Nações Unidas aprovou a Declaração dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas. Tal declaração foi elevada ao nível de Lei da República da Bolívia, em 7 de novembro, com o que a Autonomia Indígena tem o reconhecimento legal legitimado a nível internacional.

O presidente do Conselho de Capitanias de Tarija lembrou à prefeitura e ao comitê civil que: “As riquezas naturais de gás se encontram no território guarani, por tanto pertence ao povo guarani em legítimo direito, aspirar o beneficio dessas riquezas e usá-las soberanamente”, com esta afirmação o povo guarani, através de Mburuvicha (autoridade) departamental, deixa claramente estabelecido que não concorda com as aspirações do prefeito e do comitê civil.

Never Barrientos, Mbhuruvicha (autoridade) de Itika Guasu, denunciou que as autoridades da prefeitura pretendem surpreender em sua boa fé às comunidades e usem artifícios na cidade de Tarija para fazê-los participar de atos ilegais. Assim, chamam as comunidades guaranis, homens e mulheres, para que não sejam surpreendidos, e possam avaliar a ilegalidade dos cidadãos e prefeitura, “queremos que as comunidades guaranis e o bem-estar de nossos filhos e das futuras gerações e cremos que vamos conseguir, defendendo nossos direitos e sendo respeitados pela legalidade que rege a Bolívia”.

 

Fonte: Agência Intercultural de Notícias Indígenas (AINI)

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