Mortes violentas de indígenas no município de Guajará-Mirim/RO ficam impunes

Mortes violentas de indígenas no município de Guajará-Mirim/RO ficam impunes
Geral – , 20/12/07 15:00

O ano de 2007 foi marcado pela violência contra os povos indígenas de Rondônia e de modo especial no município de Guajará Mirim. No final de março, houve um assassinato duplamente qualificado de Maria Helena, uma idosa do povo Guaratega (Kampé) na cidade de Guajará-Mirim, que foi asfixiada depois de estuprada. Em menos de 8 meses faleceram dois indígenas, em luta por sua terra, em fazendas no ramal Lago das Garças no município de Guajará-Mirim: Gilson Acácio Lobato, do povo Puruborá, 26 anos, assassinado em janeiro de 2007 por Hermess José da Silva na fazenda do Sr. Cabral com um tiro de espingarda e João Pereira da Silva, 38 anos, do povo Miguelém atingido mortalmente por uma árvore durante uma derrubada ilegal na Fazenda Água Boa.

O Gilson e o João participavam das assembléias de seu povo com a perspectiva de se mudar para a sua terra quando for demarcada. A realização de assembléias anuais durante sete anos seguidos com documentos encaminhados para Fundação Nacional do Índio (Funai) e Ministério Público Federal não foram suficientes para que o órgão indigenista oficial concretizasse as demarcações solicitadas. Os indígenas “sem terra” e desempregados na cidade se tornam uma mão-de-obra barata para as fazendas da região, que além de pagar pouco não oferecem nenhuma proteção trabalhista.

No caso da idosa Guaratega, a polícia soltou o único suspeito por falta de provas. De fato, os “peritos” que fizeram o inquérito não colheram nem o sêmen nem as digitais. No caso do Gilson do povo Puruborá, as únicas testemunhas encontradas para depor eram parentes ou amigos do assassino que falaram de legítima defesa. A denúncia do promotor contra o assassino foi uma queixa-crime por “porte ilegal de arma” e por ser réu primário e com mais de 60 anos foi absolvido, apenas perdeu a chumbeira mortífera! A família não recorre da sentença por temer represálias.

No caso do João do povo Miguelém, alem de prestar um serviço sem nenhum contrato de trabalho como é rotina nas fazendas, o dono da fazenda não ofereceu nenhuma indenização. A irrisória ajuda que deu o gerente da fazenda foi o translado do corpo do necrotério até a casa. A família pensa em procurar o Ministério Público para pedir justiça. O fazendeiro foi atuado pelo IBAMA, mas prosseguiu a derrubada ilegal.

O descaso da justiça com essas três mortes deixa os povos indígenas e seus aliados muito indignados.

Fonte: CIMI

 

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s