MORTE DE JOVEM INDÍGENA GERA TENSÃO COM A POLÍCIA

MORTE DE JOVEM INDÍGENA GERA TENSÃO COM A POLÍCIA

SANTIAGO DO CHILE, 3 JAN (ANSA)- A morte de um jovem indígena mapuche baleado nesta madrugada policiais em uma fazenda sob proteção policial elevou a tensão na região de Araucanía, a 700 de Santiago.
    Matias Catrileo, de 22 anos, estudante de agronomia da Universidade da Fronteira de Temuco, morreu quando participava junto a outros 30 indígenas em uma ação parte da chamada “recuperação de terras ancestrais”, promovida pela Coordenadora Arauco Malleco.
    O grupo mapuche conseguiu fugir do lugar, evitou o cerco policial e levou consigo o cadáver de Catrileo, que durante quatro horas se negaram a entregar às autoridades.
    Durante esse tempo, Sixto Parsinger, bispo de Araucanía, iniciou uma mediação para conseGuir a entrega dos restos do rapaz. Para isso, reuniu-se com líderes da comunidade Yupeco Vilcún, à qual pertencia a vítima.
    “De minha parte, o trabalho consistiu em acompanhar, foi uma ajuda humanitária. Em minha presença os mapuches estavam tranqüilos, entregaram toda a informação necessária e tiveram boa vontade”, contou Parsinger à radio Bio Bio..
    O bispo enfatizou a confiança que os indígenas depositam na Igreja Católica. Enquanto isso, o porta-voz do governo, Francisco Vidal, reiterou que cabe ao Ministério do Interior tratar o acontecimento.

    “O Chile é um Estado de direito e as pessoas têm todo o direito de se manifestarem, sempre que o façam com métodos pacíficos, sem alterar nem violentar o direito dos outros”, afirmou Vidal.
    Um dos integrantes do grupo mapuche, identificado como “Rodrigo”, disse à Radio Bio Bio que não queriam entregar o corpo à polícia por medo que alterassem as evidências da causa de sua morte.
    “Rodrigo”, que solicitou a mediação da Igreja Católica, disse que a morte de seu “irmão” se deu quando tentavam “fazer uma recuperação pacífica” da fazenda Santa Margarita, pertencente a Jorge Luchsinger. Segundo “Rodrigo”, os policiais começaram a atirar com submetralhadoras. O dono da fazenda contou que os policiais estão todo o tempo em sua propriedade, “a proteção é permanente”.
    O senador Roberto Muñoz, do situacionista Partido pela Democracia, pediu às autoridades para “adotarem todas as medidas que sejam necessárias para que não se crie uma situação de perigo ou anarquia”, que nessa época de colheitas agrícolas poderia significar “situações gravíssimas para a economia regional”.
    A morte de Catrileo ocorre ao mesmo tempo em que a presa mapuche Patricia Troncoso realiza greve de fome – há 82 dias sem comer – reivindicando melhores condições carcerárias e que os presos mapuches não sejam submetidos à lei antiterrorista.
    Nos últimos dias foram registrados um ataque incendiário contra um caminhão, o bloqueio de uma estrada e um incêndio intencional em um acampamento da companhia florestal Mininco.
    Kart Boehmer, presidente da Anistia Internacional (AI) no Chile, condenou o uso excessivo de força e lamentou a morte de Matias Catrileo: “Para nós é lamentável a morte ou violação dos direitos humanos de qualquer pessoa, de qualquer idade, condição ou etnia”, assegurou Boehmer, enfatizando que “nos preocupa há bastante tempo o uso excessivo da força pública na repressão de certas manifestações políticas de mapuches”.

Fonte (ANSA)

 

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