Iniciativa pioneira vai formar indígenas em Agroecologia

O Curso Preparatório para os 40 alunos que integrarão a primeira turma do Curso de Agroecologia em Terras Indígenas, termina este mês em Campo Grande. A iniciativa é do MMA desenvolvida em parceria com a Universidade Católica Dom Bosco e programada para começar ainda neste semestre. O grupo, composto por 28 homens e 12 mulheres de 25 aldeias terena e kadiwéu localizadas na região do Pantanal, teve seis meses de aulas presenciais e de campo focadas, principalmente, em discussões político-metodológicas sobre o próprio curso de terceiro grau (iniciativa pioneira no Brasil) e na realização de diagnósticos e coleta de informações sobre as condições e o uso das terras nas próprias aldeias.

Instituído para deflagrar o processo de formação dos estudantes enquanto finalizavam-se os procedimentos necessários para a instalação do curso de nível universitário – especialmente o cumprimento das exigências do Ministério da Educação, inclusive o de viabilidade financeira de todo o período de duração – o Curso Preparatório teve 15 dias de sala de aula, com carga horária de 8 horas aula/dia, e igual período na aldeia, onde os estudantes foram acompanhados de professores/mediadores.

Os estudantes indígenas receberam noções de metodologia científica, discutiram o que aproxima e o que distancia os conhecimentos científicos dos tradicionais, analisaram as relações políticas dentro das aldeias e com a sociedade envolvente, refletiram sobre sistemas agrícolas e de produção, estudaram o significado de sustentabilidade das comunidades e sua relação com vivências cotidianas, como o preconceito e outras dificuldades do mercado, e participaram da elaboração final do currículo e da definição da metodologia que será adotada no curso de Agroecologia em Terras Indígenas.

“Não só o curso de nível superior, voltado especificamente para uma clientela indígena, é pioneiro, como a própria agroecologia é uma ciência que ainda está sendo construída, em grande parte com a colaboração do conhecimento tradicional que é desconsiderado em outros ramos da ciência. Com o Curso Preparatório criou-se um espaço de discussões que contribuiu muito nessa construção”, disse o professor Tércio Fehlauer, professor da Universidade Católica e pesquisador da Agência de Desenvolvimento Agropecuário e Extensão Rural do MS, Agraer, um dos coordenadores do Curso.

Já o estudo de campo enfatizou o diagnóstico das condições socioambientais de cada terra. Com a supervisão dos professores/mediadores, os alunos indígenas realizaram mapeamentos das condições da diversidade biológica e da cobertura florestal no território de suas aldeias e identificaram as principais necessidades e angústias das comunidades. O estudo conjugou observação pessoal dos estudantes e tomada de depoimentos dos anciões, sábios e líderes, que resgataram a história das aldeias e muitos conhecimentos que vêm sendo perdidos pelas novas gerações.

Os estudantes que estão se preparando para fazer o Curso de Agroecologia em Terras Indígenas têm 2º grau completo. Eles participaram de um processo de seleção que considerou o interesse das comunidades – que indicaram, inicialmente, as pessoas que deveriam participar – e capacitação individual, medida em provas objetivas. O Mato Grosso do Sul foi escolhido para sediar o projeto devido ao adensamento de populações indígenas em seu território, a maioria dependente da agricultura e vivendo em pequenas áreas, que precisam ser totalmente exploradas. (MMA)

Fonte: Ambientebrasil

http://www.ambientebrasil.com.br

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