Xavantes ocupam distrito sanitário em MT após morte de 15 crianças neste mês

Xavantes ocupam distrito sanitário em MT após morte de 15 crianças neste mês

Luciana Melo
Da Agência Brasil
Brasília – Cerca de 16 índios xavantes ocuparam hoje (31) o prédio do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) em Barra do Garças (MT), contra o que consideram nomeação política para a chefia do Dsei.

“Nós queremos uma pessoa que conhece a gente, que nos respeite e tenha diálogo conosco, que esteja preparada para suprir as nossas necessidades” , disse Sergio Abhö-ödi, presidente do Conselho Indígena de São Marco e do Conselho Indígena Distrital de Saúde Indígena Xavante.

Os índios indicaram o nome do presidente da organização não-governamental Nossa Tribo, Nivaldo Correia Neto, que segundo eles conhece os povos da região e as necessidades deles. Após a exoneração de Marley Arantes de Oliveira, o cargo é exercido temporariamente por José Henrique Leite.

Segundo o presidente em exercício da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Josenir Nascimento, “nós temos que nomear alguém que tenha boas condições em relação à gestão dos recursos públicos e existem trâmites para a nomeação ao cargo, não é assim da noite para o dia”.

Sergio Abhö-ödi explicou que os indígenas querem melhores condições de saúde, após a morte de mais de 15 crianças neste mês, com menos de um ano. “Elas tinham doenças contornáveis, que têm cura. Em todo o ano passado, morreram 18 crianças”, alertou. A Funasa, acrescentou, “precisa assumir a responsabilidade sobre esses cuidados – a saúde é a mesma coisa que uma soma matemática, se você errar em alguma coisa o resultado sai errado”. Segundo o dirigente indígena, “quando a gente perde as nossas crianças a vida não será devolvida, por isso nós queremos alguém que conheça a situação e não vamos ceder para os políticos fazerem a vontade deles”.

O presidente da Funasa disse que a entidade tem conhecimento dessas mortes, “acompanha, monitora, acende o sinal de alerta e depois toma as providências”. E argumentou: “Pode ter sido uma falha na atuação do Dsei, pode ter sido uma fatalidade com relação à questão de abastecimento de água. Nós temos uma pressa enorme de descobrir o que ocorreu. Uma equipe de auditoria e outra do Departamento de Saúde Indígena irão ao local investigar”.

O diretor de Saúde Indígena da Funasa, Wanderley Guenka, informou que só hoje soube do total de crianças mortas no mês. E que é preciso verificar a provável causa dessas mortes.

À noite, após conversa de Nascimento com o cacique Edmundo Ómore, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena de Barra do Garças, foram libertados os funcionários da Funasa e terceirizados retidos no prédio da sede do Dsei durante todo o dia. Os indígenas receberam a promessa de uma auditoria para verificar a falta de medicamentos e condições de transporte dos doentes que haviam denunciado.

Fonte: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/01/31/materia.2008-01-31.5333879538/view

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