Manaus (AM): Indígenas “sem teto” mostram a cara e a coragem

Em Manaus existem muitas famílias morando nos bairros periféricos. Ganharam mais visibilidade aquelas que fazem parte das dezenas de “aldeias” organizadas (famílias que moram próximas), com associação legal e relações institucionais com o Estado, com a Pastoral indigenista ou com estudiosos da questão. É claro que outros milhares – e são a grande maioria – não pertencem a nenhuma “aldeia”. Até porque nem mesmo possuem terreno e casa própria.

Vejo como interessante (do ponto de vista político e antropológico) a participação desses indígenas em movimentos sociais como os Sem Teto.
Vejam que até o presidente do Movimento lá em Manaus é um indígena Cocama.

Por isso mesmo é o ridículo é mais uma vez a FUNAI – falando através de um indígena – tentando dizer que os indígenas foram “usados” como escudo pelos Sem Teto. Ou que poucos são indígenas, os outros são mestiços e brancos. É mais uma das faces dos indígenas, que o Órgão não quer reconhecer.
Florêncio vaz

Folha de São Paulo, 13.03.2008
“Eu enfrentei, mas não reagi; não tenho medo da polícia”, diz índia ferida
Luiz Vasconcelos – 11.mar.08/”A Crítica”
A índia Valda de Souza em sua casa com a família; no destaque, ela durante confronto com a polícia anteontem, em Manaus

KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

A Funai (Fundação Nacional do Índio) afirmou ontem que índios foram usados como escudo por grileiros e sem-teto durante invasão de um terreno particular anteontem, em Manaus (AM). Das 22 pessoas detidas após confronto com a PM,
apenas três eram índias, segundo a fundação. Outras quatro pessoas são mestiças e 15 são brancas. “Os índios foram usados por motivo escuso colocando a integridade física deles em perigo”, afirmou Edgar Fernandes, administrador
da Funai, que é indígena, da etnia baré. O confronto aconteceu quando os policiais militares iniciaram a retirada de invasores de uma área de 182,5 mil metros quadrados, localizada na rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara), na zona norte de Manaus.
Dois índios da etnia saterê-mauê ficaram feridos, entre eles uma mulher, Valda Ferreira de Souza, 22.
Durante o confronto, ela enfrentou a tropa de choque da PM, que usou bombas de gás lacrimogêneo e gás de pimenta. Grávida de quatro meses e com o filho Cairo, de um ano e oito meses, no colo, ela disse que sofreu escoriações pelo corpo ao
resistir ao avanço dos policiais ao terreno.
“Fiquei na frente da polícia porque eles queriam tirar a gente de lá e porque estavam enforcando o meu marido. Jogaram ele no chão e bateram nele.
Eu fiquei, enfrentei, mas não reagi. Não tenho medo da polícia”, disse ela.
Souza disse ontem que entrou no terreno particular há duas semanas. Ela morava em uma aldeia no Andirá, em arreirinha, no baixo Amazonas. Veio morar em Manaus há dois anos, com dois filhos e o marido, no bairro Santos Dumont, região conhecida como aldeia urbana, na qual vivem mais de 50 famílias indígenas.
A Procuradoria da Funai disse que pedirá uma investigação ao Ministério Público Federal sobre as agressões aos índios. Um inquérito foi aberto pela Polícia Civil do Amazonas para investigar a participação dos índios na invasão.
Segundo o presidente do Movimento dos Sem-Teto do Norte, Agnaldo Pereira, que se apresenta como índio da etnia cocama, das mil famílias que invadiram o terreno 400 são de índios que vivem em Manaus. “Minha avó era índia. Não estamos usando ninguém. Na cidade todos precisam de moradia, inclusive os índios.”
Conforme a PM, indígenas receberam a polícia com pedradas e flechadas e, por isso, houve o confronto.

 

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