Internacional: Panamá – Indígenas protestam contra projectos das multinacionais

Cidade do Panamá – Uma centena de camponeses e indígenas Ngobe-buglé e Naso-Teribe manifestou-se hoje, pelo segundo dia consecutivo, contra os investimentos turísticos europeus e norte-americanos em curso nas províncias de Chiriquí e Bocas del Toro, no ocidente de Panamá.
Os manifestantes, que acamparam na Praça Catedral, na zona antiga da capital, desfilaram até às instalações do Ministério do Governo e Justiça, onde deram a conhecer a sua revolta com a situação actual.
O coordenador do movimento pela defesa do território do Arquipélago de Bocas del Toro, Feliciano Santo, justificou o protesto por o Ministério não estar a cumprir as leis relativas ao programa de administração de terras.
“O Governo está a apoiar os investidores europeus e norte-americanos que chegam às nossas terras com a intenção de nos deslocarem e converter-nos em precários”, acusou.
Explicou que a Lei 2 de 2006 sobre turismo residencial, põe em venda ilhas, costas e praias, o que “permitiu a estes estrangeiros ter direito” sobre as propriedades indígenas “amparados numa lei que fala sobre desenvolvimento turístico”.
“Praticamente fomos deslocados nas nossas terras por estes investidores, com o apoio de autoridades locais e da polícia nacional”, denunciou.
Os manifestantes desejam também que o Governo nacional seja o proprietário de projectos hidro-eléctricos e mineiros, enquanto não se resolver totalmente o problema existente nas suas próprias terras.
Enquanto isto, o dirigente Naso-Teribe, Félix Sánchez, disse que a sua intenção é continuar a demonstrar ao país que merecem “respeito”.
“Sabemos que é uma luta difícil porque enfrentamos o poder económico e político mas é necessário continuar a denunciar a injustiça que se vive nas comarcas indígenas”, acrescentou.
Salientou que os recursos naturais pertencem a todos, camponeses e indígenas incluídos, criticando o Governo por o ignorar.
Depois do Ministério da Justiça, os manifestantes dirigiram-se para as instalações da Autoridade Nacional do Ambiente (Anam), nesta capital, para reclamarem os seus direitos junto desta entidade.
Segundo Sánchez, nos territórios ocupados pelas multinacionais “jamais” se realizou um Estudo de Impacto Ambiental e muito menos uma consulta pública como exige a lei.
O grupo prevê juntar-se à “marcha nacional” da Frente Nacional pela Defensa dos Direitos Económicos e Sociais (Frenadeso) até à Presidência da República.
A marcha visa protestar contra o alto custo de vida, o aumento do cabaz de compras básico familiar e contra os projectos mineiros e hidro-eléctricos, entre outros.

Fonte:LUSA-Agência de Notícias de Portugal, S.A.
http://ww1.rtp.pt

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