Defesa veta uso de pista clandestina pela Funasa

Entidade queria aval para apressar atendimento em reserva no Vale do Javari, no Amazonas
O Ministério da Defesa negou um pedido da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para a legalização do uso de cinco pistas de pouso clandestinas que poderiam apressar o atendimento de saúde em comunidades indígenas no Vale do Javari, na região oeste do Estado do Amazonas. Há casos de hepatite, malária, meningite e tuberculose. O transporte à região por via fluvial leva até 15 dias.
Com a negativa, será montado um plano alternativo, que também contará com a participação das Forças Armadas, que ajudarão no atendimento médico e apoio logístico.
O coordenador-substituto da Funasa no Amazonas, Narciso Cardoso Barbosa, informou que as negociações sobre o uso das pistas de pouso continuam, mas não neste momento. “O Ministério da Defesa vê essa questão com muita cautela, por se tratar de uma área de fronteira e tráfico de drogas”, explicou Barbosa. “Também precisamos ouvir o Ministério da Justiça nessa questão.”
As pistas seriam usadas na operação que a Funasa está promovendo na região com o objetivo de socorrer pacientes em estado grave, além de promover ações de imunização. O pedido encaminhado pela entidade ao Ministério da Defesa alegava que o transporte aéreo facilitaria na remoção de pacientes e nos demais trabalhos.

APOIO:
Como alternativa, o Ministério da Defesa garantiu aumento do transporte aéreo na região, mas em pistas de pouso regularizadas. Pacientes serão transportados para o navio de assistência hospitalar (NAsH) Osvaldo Cruz, que ficará no Rio Ipuí. “A localização é estratégica, por ser um ponto de convergência”, garante Narciso.
A operação conta com apoio de lanchas e militares do Exército. As prefeituras dos municípios vizinhos, como Atalaia do Norte, também estão mobilizando os seus sistemas de saúde para apoiar o atendimento à população indígena.
Segunda maior reserva indígena do País, o Vale do Javari abriga uma população de 3,7 mil habitantes em 8,5 milhões de hectares. Na área, há 48 aldeias das etnias marubo, matis, mayoruna, kulina, kanamari e korubo. A Fundação Nacional de Saúde informou que também há índios isolados.
De acordo com as informações fornecidas pela Funasa no Amazonas, desde dezembro de 2007 morreram sete indígenas – sendo cinco crianças -, vítimas de malária. No ano passado, foram registradas 39 mortes provocadas por malária, tuberculose, meningite e hepatite tipo B e D (delta).

NÚMEROS:
*3,7 mil índios moram no Vale do Javari (AM)
*8,5 milhões de hectares é a área total da reserva indígena, de acordo com a Funasa
*48 aldeias de 6 etnias estão presentes ali
*39 mortes de índios foram registradas em 2007 por causa de doenças

Fonte:Estadão – Michele Portela
http://www.estadao.com.br

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