Orkut vira meio de comunicação para índios – Jornal da Paraíba

Matéria interessante para tempos em que se discute comunicação entre os povos
Publicada no Jornal da Paraíba em 06/04/2008 – Kelly

Orkut vira meio de comunicação para índios

SOU POTIGUARA – A comunidade, criada em novembro de 2006, virou mania entre os jovens da aldeia

RENATO FÉLIX
Pelos estereótipos, nada seria mais distante do que a cultura indígena e a internet. Afinal, a preservação dessa cultura costuma estar associada à manutenção de tradições milenares – como peças de roupa e danças. Jaqueline Siríaco é responsável por ajudar a perpetuar uma dessas tradições: a língua tupi, da qual ela é professora. Por outro lado, é ela a moderadora da comunidade Sou Potiguara, no Orkut, uma mania cada vez maior entre os jovens da aldeia.
A comunidade foi criada em novembro de 2006 e contava, até o final de março, com 94 membros – índios da região de Baía da Traição e também pessoas de outras etnias que estudam a cultura indígena ou apenas simpatizam com ela. A professora não vê problemas na combinação dos dois fatores. “É uma necessidade, nesse momento que a gente vive”, analisa. “Isso não atrapalha a nossa cultura e até ajuda a divulgá-la. A gente usa muito o Orkut para divulgar o movimento”.


Os membros índios colocam na “Sou Potiguara” mensagens em que expressam alegria e orgulho. “Ter o sangue de ‘potyguara’ não é para todos, mas para aqueles que foram escolhidos para guerrear e ser vencedorrrrr!!!!”, escreve uma associada em um tópico. Mesmo assim, a comunidade ainda tem o que crescer: não há um tópico novo desde dezembro.
A atividade entre os perfis pessoais criados pelos moradores parece maior. “Na aldeia o pessoal nem pergunta mais qual o número do celular, pergunta logo se tem Orkut”, confessa Jaqueline. “A gente não tem como ficar isolado nisso”. Os índios usam os computadores do Ponto de Cultura Cumaru. Havia dois, mas um foi roubado.
Site divulga as notícias das aldeias nordestinas
Os índios estão realmente tomando as rédeas de sua própria comunicação na internet. O site Índios on Line é mantido pela associação Thydêwá, fundada em 2002, e alimentado por nações principalmente do Nordeste, como os tupinambás, da Bahia, kariri-xocós, de Alagoas, e pankararus, de Pernambuco. O conteúdo é formado por notícias escritas pelos próprios índios.
“A gente quer ser o autor da nossa própria história”, conta Jaqueline Siríaco, que também colabora com o site. “Sou eu que posso falar do meu povo”. Ela afirma que a circulação de informações ajuda na prática a resolver problemas das aldeias. “Uma aldeia conseguiu fazer com que um posto de saúde que não funcionava, voltasse a funcionar”, diz ela.
Através do site, os índios nordestinos podem pesquisar sobre a vida das outras nações, disponibilizar arquivos e divulgar todo tipo de notícia. Na primeira página do site, por exemplo, está uma notícia sobre uma audiência dos potiguaras na Assembléia Legislativa (AL), no último dia 14, a respeito da preservação do Rio Sinimbu, acompanhados de entidades como a UFPB, a Funai e o Ibama. (RF)
Comunidade conta com mais de 9 mil membros
O número de comunidades indígenas no Orkut é grande. A maior delas chama-se Sou Índio Descendente, somando mais de 9.200 membros. Uma semelhante, Sou Descendente de Índio, conta com mais de 5.100 associados. Outras menores, mas interessantes, são Literatura Indígena, já acima dos 2.400 associados, Arte Indígena, com quase 1.800, Mitologia Indígena Brasileira, que já ultrapassou 1.300 membros.
Também há comunidades menores voltadas para a história, a música e até a educação escolar indígena. Com relação aos povos, as comunidades são naturalmente mais restritas. Os trukás, de Pernambuco, somam 140 membros no Orkut. A aldeia Caeiras Velhas, no Espírito Santo, possui 135. Há comunidades dos mais variados Estados, como Pará ou Santa Catarina. “É muito mais produtivo trabalhar esse movimento pela internet”, afirma Jaqueline, lembrando que, em outros tempos, as aldeias simplesmente não teriam referência de outras tão distantes. (RF)

 

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