Cápsula do tempo vai contribuir para manter viva a tradição e cultura indígenas

As crianças nhambiquaras brincavam e se divertiam com a festa de comemoração ao Dia do Indio em 2008, no território Utiariti e Tierakatinga, no município de Sapezal (480 km de Cuiabá). As três aldeias visitadas (Utiariti, Três Jacú e Caititu) receberam diversos convidados brancos e índios, como governador do Estado, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, caciques de outras etnias e jornalistas da Capital.
Mas em meio à agitação e novidades, é possível perceber que essas crianças ainda não compreendem a responsabilidade que lhes pesam nos ombros, a missão de preservar a cultura, a tradição e a história milenar de um povo, além de enfrentar o desafio de ter melhores condições de vida, como saúde, alimentação, educação e emprego.

Há também na aldeia uma preocupação com a educação das crianças. A professora Terezinha Amazokairo contou que até os sete anos de idade elas só falam na língua indígena e depois vão sendo alfabetizadas também em português. Os povos indígenas travam a difícil batalha de manterem respeitados seus costumes, tradições e cultura.
Pensando em dar sua contribuição aos indígenas de Mato Grosso, em especial às etnias que vivem nessa região, o Governo do Estado tomou a iniciativa de montar a cápsula do tempo, uma urna metálica, onde foram colocados diversos objetos da atualidade e que serão vistos daqui a 50 anos. Entre os documentos relacionados estão depoimentos escritos pela cacique Miriam Kazaizokaro, da etnia Pareci, e pela professora indígena Terezinha Amazokairo, da etnia Nambikwara. Nos escritos, a realidade vista pela ótica indígena. “A história na visão do homem branco poderá ser conhecida a qualquer tempo, basta acessar a internet, mas na visão deles (dos índios) certamente será algo rarodaqui para frente”, comentou a historiadora e jornalista Maria Stela Tegon de Pinho, da Casa Civil de Mato Grosso
A historiadora foi uma das responsáveis pela pesquisa e elaboração dos documentos inseridos na urna, ela conta que apesar do pouco tempo para executar um trabalho tão minucioso, o conteúdo dos materiais está rico em detalhes e fatos. “ Encontramos até partituras de uma canção parecis de Vila Lobos, datada de 1932 e com o apoio da Orquestra do Estado e de outros servidores conseguimos colocá-la na urna”, disse Maria Stela.
Na urna as gerações futuras encontrarão também um documento com o histórico e a caracterização da fauna e flora dos territórios indígenas, mostrando aos futuros habitantes quais foram as transformações sofridas no espaço de 50 anos. Para sua preservação, a urna terá sua tampa lacrada com silicone.
Para acessar CDs e DVDs (com fotos, depoimentos), o governador Blairo Maggi pediu que fosse colocado um aparelho DVD com todos os cabos e um manual explicando como se utiliza. Isso porque daqui a meio século com a rápida evolução tecnológica ninguém saberá para que serve os DVDs ali depositados. “É como se os jovens de hoje encontrassem os discos de vinil de 20, 30 anos atrás, como se toca isso, para que serve”, salientou.
Um DVD traz os depoimentos dos três caciques visitantes, Raoni Txucarramãe, Megaron Txucarramãe e Aritana Ywalapati, que pela primeira vez visitaram as terras dos nambiqwaras e parecis (seus parentes) assim como eles se tratam.
A realização dessa idéia e a concepção dessa cápsula do tempo traduz o respeito que o Governo atual tem com a história, a memória de um povo, segundo a historiadora Maria Stela. Ela que executa no governo um trabalho de preservação da história recente da Administração Pública, explica que o governador Blairo Maggi tem essa preocupação de guardar e transmitir esses fatos históricos para futuras gerações.
O cacique João Arrezomãe e Adalberto Nabikwara se disseram emocionados com a iniciativa do Governo de Mato Grosso, mas ambos têm muito claro o que querem para o futuro do seu povo. Todos pediram respeito às suas terras e à sua cultura. O cacique João Arrezomãe foi incisivo ao dizer que Pedro Alvares Cabral não descobriu o Brasil e sim invadiu as terras dos indios que já viviam aqui.

Fonte: 24HorasNews
http://www.24horasnews.com.br

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