Índigenas do Estado de São Paulo querem participação em pedágio do Rodoanel

Índio Quer Participação em Pedágio

Exmo. Sr.
JOSÉ SERRA
Governador do Estado de São Paulo
Nós, abaixo-assinados, integrantes das comunidades indígenas, índios das aldeias Krukutu e Tenonde Porã, localizadas nos confins da região de Parelheiros, nos dirigimos a todas às autoridades do Município e do Estado de São Paulo, bem representadas por V. Exa., no sentido de reivindicar uma compensação justa pela passagem do trecho Sul do Rodoanel Paulistano sobre nossa pequena e inalienável reserva. Esta compensação se traduziria em percentual, a ser definido, na arrecadação de eventuais praças de pedágio a serem instaladas na grande obra ora em andamento. Entendemos ser oportuna e necessária a fixação prévia e oficial de tais cotas pecuniárias para garantir desde um direito que é essencial à nossa sobrevivência como povo.
Não é segredo para ninguém que, há anos, os povos indígenas têm enfrentado uma vida sofrida em aldeias situadas na periferia extrema das grandes cidades brasileiras. O problema torna-se mais agudo e até insuportável em um conglomerado urbano de proporções gigantescas e complexas como a Grande São Paulo.
Também é do conhecimento de todos que temos mantido nossa língua, hábitos e costumes através de uma resistência cultural que muito nos honra, mas que produz extremo desgaste pelas características da luta. Somos vizinhos de uma sociedade urbana, volumosa e bizarra que asfixia nossa cultura.
Estamos impedidos de sobreviver da caça, da pesca, e da coleta, pois nossas aldeias estão assentadas em áreas de solos degradados, por ironia, próximas da área de Proteção Integrada Capivari-Monos.
Portanto, dependemos de uma pequena produção de artefatos indígenas, aliás, pouco valorizado. O que arrecadamos é muito pouco, mesmo com a presença de muitas pessoas do mundo urbano que nos visitam e se deleitam com nossos falares, cantos e música. Quando elas vão embora, recaímos em uma solidão cotidiana lamentável, que afeta nossa disposição de prosseguir na luta. As carências se avolumam e produzem um sério desequilíbrio no contacto com meninos e meninas que vivem além dos limites de nossas aldeias. Por isso tememos, justificadamente, pelo futuro dos nossos adolescentes que começam a compreender o mundo dos vizinhos e a comparar com o seu, não só pelo seu bem-estar material, mas também pelo nosso triste modo de vida. Não por acaso, nossos filhos, para garantir sobrevivência e inclusão social futuras, têm que se sujeitar ao aprendizado bilíngüe que envolve o Tupi-Guarani e o Português, fato que, dentro do atual contexto, já os coloca em ambigüidade.
Alguém nos informou que somos um tipo de aldeias étnicas peri-urbanas metropolitanas. E daí? Essa classificação poucos nos protege e contribui para um contacto equilibrado e saudável com o mundo urbano.
Informamos que, atendido o nosso pleito, fazemos questão que os gastos com dinheiro repassado para as aldeias sejam auditados por autoridades competentes, sensíveis e não-partidárias. Os recursos recebidos deverão servir a todos os membros das comunidades indígenas aldeiadas nas periferias da Grande São Paulo.
Não queremos conflitos sobre esta questão, mas envidaremos todos os recursos jurídicos para que nossa proposta seja vitoriosa.
Esclarecemos que temos consciência da condição de herdeiros de populações pré-históricas algumas das quais estavam em Piratininga antes do início da colonização portuguesa.

Assinam:

Aldeia Tenonde Porã
Aldeia Krukutu
Aldeia Tekoa Pyau
Comunidade Pankararu
Esta reivindicação tem o apoio da ONG Educa São Paulo e do (NTC) Núcleo de Trabalhos Comunitários da PUC-SP

Co-Assinado Web Rádio Brasil Indígena

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