Convite ABL – As linguagens do conflito – 40 anos do movimento de 68

CONVITE

As linguagens do conflito – 40 anos do movimento de 68

Dia: 27 de maio – 19h Academia Brasileira de Letras. Av. Presidente Wilson, 203, Rio de Janeiro, Centro.

Entrada franca. Vagas limitadas.

Realização do Instituto Italiano de Cultura, do Rio de Janeiro (IIC), em colaboração com a Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Encontro propõe uma releitura e analisa os reflexos do movimento de 68 no Brasil e na Europa contemporâneos

No próximo dia 27 de maio, terça-feira, um encontro na Academia Brasileira de Letras vai reunir ativistas do movimento de 68 na Europa como o filósofo italiano Gianni Vattimo, o professor de Literatura da UFRJ, Andrea Lombardi, além do pesquisador e professor de Comunicação da USP, Massimo Di Felice e de Yakuy Tupinambá, militante do Movimento Indígena Tupinambá. Coordena a mesa-redonda o Presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni.

Para os organizadores, As linguagens do conflito o que está em debate, após 40 anos, não é a validade do conjunto do movimento de 68, a direção e os efeitos que ele teve – aspectos esses, em relação aos quais as opiniões podem naturalmente divergir.

Importante hoje é verificar uma das características que o tornaram tão relevante na época: trata-se essencialmente de seu caráter de movimento, em que se juntavam diferentes contribuições da tradição (do situacionismo de Guy Débord, ao protesto beatnik, da rebelião contra o autoritarismo típico de uma revolta das novas gerações, ao protesto engajado em favor da paz e contra a guerra, particularmente à época, contra a guerra do Vietnã): a afirmação de uma cultura do conflito (entendida então como fato material e metafórico), que conseguiu uma mobilização generalizada das novas gerações, numa medida até então inimaginável e não prevista.

Em 68, os participantes do movimento defendiam novos sujeitos de uma nova geração (os mais jovens, as novas gerações). Hoje há novos sujeitos sociais e étnicos, como os representantes dos povos nativos, que defendem uma transformação. Acreditam os organizadores que cada movimento que defende transformações abre para novos espaços de debate.

Os convidados

Entre os participantes, o mais conhecido internacionalmente é Gianni Vattimo, um dos filósofos europeus mais destacados da atualidade, particularmente no debate sobre o tema do pós-moderno, e que desempenhou também um papel crítico e institucional ao exercer a função de deputado no Parlamento Europeu. Defensor de uma hermenêutica pós-nietzscheana e pós-estruturalista, Vattimo é professor de filosofia da Universidade de Turim, onde se graduou e estudou com Hans-Georg Gadamer e Luigi Pareyson. Foi professor visitante das universidades americanas de Yale, Los Angeles, New York University, State University of New York. Recebeu o título de laurea honoris causa em diversas instituições acadêmicas de vários continentes. É membro de comitês científicos de várias revistas italianas e internacionais, editor da “Rivista di estetica”, e membro da Academia de Ciências de Turim. Atualmente é vice-presidente da Academía de la Latinidade.

Yakuy Tupinambá

Militante do Movimento Indígena Tupinambá e membro da liderança do cacicado da aldeia Tupinambá de Olivença (Ilhéus/Bahia). Autora de vários textos, publicados, entre outros, nas coletâneas Índios na visão dos índios, na rede indiosonline (http://www.indiosonline.org.br/) e em Indiografie (Costa & Nolan/Itália). É atualmente estudante de Direito na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Yakuy é uma defensora de um pensamento indígena autônomo.

Um debate com muitas perspectivas

Para os organizadores, teremos que aproveitar os novos espaços de debate, pois um novo caminho pode emergir do Profundo Ocidente. Ou seja, uma nova postura ética e uma visão de mundo alternativa podem ser escutadas nas falas dos povos nativos, algo mais perto de nós e algo mais denso e intrigante do que nos vem do Oriente, que às vezes lemos em manuais de auto-ajuda ou de filosofias baratas. Talvez, hoje, mais do que provocar um movimento, teremos que afinar e melhorar nossa escuta. Escuta do que há de novo nessa sociedade. Pois há muito de velho nessa nossa sociedade do Novo Mundo, mas há algo de novo também.

Substancialmente, 1968 pode ser lembrado como um período de grande movimento, que afirmou a cultura da diversidade e do conflito. E hoje, na barbárie de um mundo intercomunicante, mas à procura das próprias raízes e de novos significados, o conflito pode ser ainda um objetivo capaz de afinar nossa leitura do mundo. Se então se dizia que a transformação do mundo era essencial, hoje podemos afirmar que sabemos que isto não é tão fácil como parecia, mas reler o mundo pode significar, como projeto mínimo e máximo, a releitura de nós mesmos, e, portanto, uma transformação.

Alguns pontos a serem pensados e discutidos no debate

1.Há duas visões (a européia e a “americana-brasileira” que dialogam nesse debate, ou melhor: três perspectivas, incluindo a dos índios (os povos nativos): uma visão do profundo Ocidente. Uma visão multilateral, multiétnica, a perda da centralidade.

2.A apropriação da tecnologia digital por indivíduos e coletivos da periferia e pelos povos nativos (por exemplo, através da Indiosonline, uma rede da internet criada por uma ONG alternativa, a Thydewa http://www.indiosonline.org.br/ ); os estudod e a congregação dessas experiências em eventos organizados pelo Cepop/Atopos, grupo de pesquisa da ECA-USP http://www.grupoatopos.blogspot.com/ ; a atuação de ONGs européias como a Zoe-Onlus http://www.zoeonlus.it/attivita_n.htm , que vem dando voz aos representantes dos povos nativos, amplificando-a na Europa através de livros como o Indiografie, lançado na Itália em 2007.

3.Se o movimento de 68 defendia uma nova postura, hoje o mundo necessita de uma nova ética. Os índios estão na internet e realizam vídeos: uma nova era já começou.

4.O movimento de 68 afirmava a necessidade de uma transformação do mundo. Hoje sabemos que transformar o mundo é difícil ou – talvez – nem é algo tão positivo! Talvez agora teremos que ler o mundo de forma diferente. No mínimo, nosso objetivo pode se tornar uma transformação da leitura do mundo e, portanto uma transformação de nós mesmos. O mínimo e … o máximo também: eles coincidem.

5.Não existe mais uma única verdade (desde o filósofo Nietzsche, incluindo a leitura do próprio filósofo italiano Gianni Vattimo). Mas pode haver hoje a percepção de um caminho diferente. Caminho em grego tem vínculos etimológicos com a palavra metodein, ou seja: o que precisamos é um método diferente.

6.Como teremos três representantes italianos no debate, é importante considerar que a tradição da cultura italiana, que vai muito além da unificação recente do século XIX, lida desde sempre com a diversidade, o multilingüísmo e o multiculturalismo, como na cultura brasileira, e vê com muita simpatia a emergência de novos sujeitos sociais. Desde a Idade Média e a Renascença convivem na península italiana (bem antes da Unificação) povos e etnias e línguas diferentes (15 línguas, 24 famílias de dialetos). Esta tradição do debate, que valoriza o conflito como parte indispensável da prática democrática, é algo bem arraigado na tradição italiana, aberta desde sempre a espaços de debate e idéias novas. Eventos recentes, que parecem contradizer essa tradição, devem ser entendidos como entraves temporários, que o tempo se encarregará de superar.

Maiores informações: ABL – Assessoria cultural: (021) 39742543 ABL – Assessoria de imprensa (21) 3974 2552 Instituto Italiano de Cultura/ RJ: (21) 35344334 UFRJ: Andrea Lombardi: (21) 82086138 lombardi.andrea@gmail.com, Anápuáka Muniz Pataxó Hã-hã-hãe (21) 88035550/33139424

Anápuáka Muniz Pataxó Hã-hã-hãe (Etnia Tupinambá) – TI Pataxó Hã-hã-hãe – Aldeia Água Vermelha / Pau Brasil – BA
TIC e Agente Cultural Indígena
Rua 27, nº.330 fundos Bairro Santa Cruz
Rio de Janeiro – RJ
CEP:23.595-185
21) 3313.9424 (21) 8803.5550 (21) 8617.0413
Visitem: https://webradiobrasilindigena.wordpress.com e http://www.indiosonline.org.br
MSN:erickmuniz@ig.com.br
GoogleTalk: anapuaka.indiosonline@gmail.com
Skype: anapuakapataxo

 

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