Fotos de índios podem causar ‘mortes na Amazônia’, diz autora britânica

O jornal britânico The Guardian traz em sua edição desta terça-feira
um artigo de opinião alertando para o perigo do interesse público
gerado pela divulgação, há duas semanas, de fotos de uma tribo de
índios isolada na Amazônia. Segundo o artigo Morte na Amazônia,
assinado pela escritora britânica Jay Griffiths, as imagens dos índios
pintados de vermelho e preto empunhando arcos e flechas em direção aos
invasores, em expressão de raiva e medo, transmitiam a mensagem clara

de que “querem ser deixados em paz”. “Houve um grande interesse por
parte do público quando as fotos foram divulgadas pelo governo
brasileiro, revelando a curiosidade que despertam as tribos
indígenas”, diz a autora, que já esteve em contato com tribos isoladas
na selva peruana a convite de ativistas indígenas e escreveu o livro
Wild: An Elemental Journey. “Mas enquanto muitos defensores dos índios
querem divulgar seus alertas para a destruição da natureza e suas
filosofias de vida, eles próprios, os índios, não querem nada disso”.
“Eles não têm nada a ver com a cultura dominante e tudo que querem é
ser deixados em paz”, afirma a escritora.

Missões e TV
Griffiths acredita que com a divulgação das imagens esses índios serão
perseguidos não apenas pelos grupos ilegais que desmatam a florestas,
mas também por “missionários religiosos, empresas de televisão e
aventureiros determinados a ignorar sua mensagem”. “Os riscos são bem
conhecidos: milhares de índios isolados já morreram depois de
contraírem doenças trazidas pelos invasores”. Griffiths afirma que no
início do ano uma equipe de TV britânica esteve na selva amazônica
peruana para procurar índios para participar de um reality show.
“A equipe foi acusada de visitar uma tribo isolada e transmitir
doenças que deixaram quatro mortos.” Na opinião da autora, há um
“profundo racismo contra as comunidades indígenas e a invasão
forcada é a prova disso” “O mercado editorial promove o aventureiro,
as igrejas fundam missões, as corporações enviam mineradores e
destruidores da floresta e as companhias de TV enviam suas equipes”.
“Num mundo honesto, todos deveriam ser acusados por tentativa de
assassinato”.

Informação salvadora
Uma crônica publicada nesta terça-feira no jornal Le Monde, no
entanto, vê com bons olhos a liberação das fotos. O autor, Laurent
Greilsamer, acredita que a Funai já sabia da existência da tribo há
muitos anos e questiona a divulgação do fato domo “descoberta”. “Esta
tribo não é desconhecida”, afirma o autor. “Já faz 20 anos que a Funai
decidiu protegêla, rompendo o diálogo e deixando-a em paz”. “A decisão
de revelar a existência da tribo foi para atrair a atenção da
comunidade global para essa micro-sociedade ameaçada por empresas
petroleiras e que adorariam penetrar tranqüilamente pelos confins do
Peru ou do Brasil”. “Até agora o silêncio foi protetor; a informação
pode se tornar salvadora”, afirmou Greilsamer.
HOME PAGE O GLOBO ON LINE

Fonte: ANAI / Clipping da 6ªCCR do MPF.


Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s