TV inglesa queria reality show com tribo isolada,A idéia não vingou mas, no contato, algum tipo de vírus dos brancos contagiou os índios e quatro deles morreram.

Escritora critica ‘mania branca’ de impedir isolamento:
“Depois, o mercado editorial promove o aventureiro. As igrejas fundam missões. As corporações enviam mineradores e destruidores da floresta. E as companhias de TV enviam suas equipes. Em um mundo honesto, todos deveriam ser acusados de tentativa de assassinato”, diz ela.

Três meses atrás, uma equipe de TV inglesa entrou floresta adentro, na Amazônia peruana, fez contato com uma tribo indígena e propôs uma espécie de “reality show” – filmariam em detalhes a vida diária da tribo, durante um bom período, para produzir uma série. O trabalho já tinha até um título: World?s Lost Tribes (Tribos Perdidas do Mundo). Seria exibido pelo canal Discovery Channel. A idéia não vingou – mas, no contato, algum tipo de vírus dos brancos contagiou os índios e quatro deles morreram.

O episódio, que mereceu breves notas na época, foi divulgado ontem, com mais detalhes, pela escritora Jay Griffiths. Em artigo escrito para o jornal The Guardian, de Londres, ela se diz indignada com as recentes imagens da tribo descoberta no interior do Acre – em que índios assustados apontam suas flechas para um pequeno avião que sobrevoa a tribo. No texto ela condena, quase com fúria, a mania dos brancos de “tirar do isolamento” tribos que chamam de “perdidas” no fundo das florestas.

Estudiosa do assunto, autora de um livro sobre índios, a escritora interpreta a foto: “A mensagem não podia ser mais clara: deixem-nos sozinhos”. Mas este é um aviso inútil, prossegue. Atrás dessa imagem virão as ONGs que se atribuem o papel de defender as tribos e imaginam que têm muito a lhes ensinar. “Depois, o mercado editorial promove o aventureiro. As igrejas fundam missões. As corporações enviam mineradores e destruidores da floresta. E as companhias de TV enviam suas equipes. Em um mundo honesto, todos deveriam ser acusados de tentativa de assassinato”, diz ela.

“RACISMO?”
Para Jay Griffiths, esse processo de invasão mostra “que existe ainda um profundo racismo contra os povos indígenas”. Ela deu outro exemplo:

“Na Amazônia peruana encontrei um missionário evangélico que estava em busca de tribos não contactadas, dizendo que estava amaciando o caminho para funcionários de empresas petrolíferas”, recorda Jay Griffiths. “As ligações entre missionários e outras indústrias extrativistas são bem documentadas”, ironizou.
Avisou que não é contra “antropólogos e ativistas, e mesmo jornalistas, que sabem tratar o assunto com respeito”.

A Cicada Films, que mandou a equipe de TV ao Peru, negou enfaticamente que sua equipe tenha invadido áreas proibidas.

Alega que seus funcionários já encontraram, no local, índios doentes. Representantes dos índios, no entanto, sustentam que, autorizados a visitarem uma tribo conhecida, os funcionários da Cicada a acharam muito aculturada e foram, sem autorização, mais para o fundo da floresta.

Fonte: Gabriel Manzano Filho / O Estadão
http://www.estadao.com.br



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