Disputa pela Funai na região sul do Mato Grosso prejudica famílias

DOURADOS – A queda de braço política pela disputa do cargo da administração da Funai, na região sul do Mato Grosso do Sul, está prejudicando o andamento dos serviços burocráticos do órgão e impedindo o atendimento aos indígenas que estão fora da briga e necessitam dos atendimentos. Ontem, pela quarta vez a sede da Funai em Dourados fechou as portas e a previsão é de que possa reabrir na segunda-feira.
Com medo de represálias de novos manifestos, por parte de lideranças guarani e caiuá que tentam “arrancar” à força do cargo a administradora Margarida Nicoletti, a sede não abriu. No local, três mil cestas básicas estão estocadas para serem entregues às famílias necessitadas das 38 aldeias e 18 acampamentos atendidos pelo órgão.
Sem alternativas, os índios que não possuem um pedaço de terra para plantar ou que não possuem fonte de renda sofrem com as disputas políticas. Por mês, a Funai distribui 15 mil cestas básicas.
Além dos alimentos não chegar aos necessitados, atendimentos em geral deixam de ser realizados, tais como emissões de certidões de nascimento e entrada em pedidos de auxílio maternidade e doença. O assessor da Funai em Dourados, Geraldo Ferreira, diz que o trabalho administrativo do órgão está parado. “Temos que encaminhar relatórios, prestar contas à Funai em Brasília para receber os recursos para serem aplicados aqui [Conesul], mas como está paralisado corremos o risco de ficar sem as verbas”, comenta.
Ele disse que o motivo do órgão ter fechado ontem foi porque na noite de quinta-feira – um dia depois de Margarida se reunir com o grupo de quatro lideranças indígenas de Dourados e Amambai -, a administradora recebeu ameaças de que índios iriam invadir a Funai.
Segundo o cacique Renato de Souza, um dos líderes dos manifestos contra Margarida, nenhuma liderança fez ameaças. No entanto, durante todo o dia de ontem eles estiveram ocupados em reunião com a Funasa.
A disputa pela administração da Funai promete continuar nos próximos dias. De um lado, Margarida diz que o cacique está liderando um “grupinho” de índios para tentar tirá-la do órgão, sem o apoio das 44 lideranças indígenas do Conesul. Em contrapartida Renato de Souza diz que todos os lideres querem que ela saia do cargo.
“Nunca tivemos reunião tradicional promovida pela Funai na Aldeia Jaguapiru com todas as lideranças. Vamos marcar encontro com eles e mostrar à Margarida que os indígenas querem que ela renuncie da administração”, diz o cacique.
A qualquer custo, o grupo liderado por Renato quer que Margarida deixe o cargo para dar lugar a uma liderança indígena. Em 5 de junho, o presidente da Funai, Márcio Meira, teria autorizado um índio a atuar como interlocutor no órgão, mas o documento foi revogado no dia seguinte causando reviravolta entre as lideranças.
Renato de Souza ainda diz que na semana que vêm um grupo de pelo menos 80 mulheres vão passar a assumir os manifestos. Elas vêm em ônibus fretado em Amambai, para somar com as indígenas de Dourados. O cacique destaca que as mulheres vão se manifestar contra Margarida e pedir que ela deixe o cargo.

Fonte:Flávio Verão / O Progresso
http://www.progresso.com.br

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