Índios temem destruição de cemitério

Os índios anacés dizem que a refinaria vai passar por cima de um cemitério secular. Eles prometem procurar ajuda do Ministério Público Federal e do Iphan. Segundo eles, o povo não é contrário à refinaria, desde que preservado o local.

A possibilidade da instalação de uma refinaria no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) gerou descontentamento entre o povo indígena Anacé. A etnia, mesmo sem a confirmação do empreendimento por parte do Governo do Estado ou da Petrobras, já se mobiliza para
preservar um de seus patrimônios. Um cemitério secular, fundado pelos índios, estaria em um dos dois terrenos oferecidos pelo Estado para estudos. Os anacés habitam áreas de Caucaia e de São Gonçalo do Amarante – cidades que podem abrigar a refinaria – e prometem até “guerra” para proteger o local. O cemitério, chamado de Cambeba, é
situado em Caucaia, no distrito de Matões, distante. O cemitério Cambeba foi criado pelos índios anacés no período entre 1651 e 1712 a cerca de 10 quilômetros do Pecém. O local é de difícil acesso e isolado. É administrado hoje pela Prefeitura. De acordo com a etnia,
documentos de 1651 e 1712 comprovam a presença dos anacés na região. O cemitério também teria surgido nesse período. Segundo Francisco Ferreira, 28, o Júnior Anacé, que conta a história de seu povo, o cacique Cambeba morreu sob a sombra de uma pitombeira e lá foi enterrado. Assim surgiu o cemitério. A árvore, ele destaca, ainda está lá. Os anacés não toleram a possibilidade de acabar com o Cambeba. “Lá estão nossos ancestrais, nossa história”, reclama João Freitas, 38, o Joãozinho Coração de Índio. A avó, Têda Anacé, foi enterrada em 1970,
no Cambeba, aos 104 anos. Mas ele não lembra, ao certo, onde está o túmulo. A identificação de jazigos é precária. Parte tem somente uma cruz, sem inscrições ou registros. “São os (índios anacés) mais antigos. Eram analfabetos”, completa Júnior. Conforme Júnior, especulações sobre a refinaria já circulam “há muito tempo” entre os anacés. Há oito anos, ele lembra, a etnia fechou a rodovia CE-085 em forma de protesto contra a execução de projetos na região. Júnior diz que “vai haver uma guerra” caso haja a confirmação da refinaria na área do Cambeba. O indígena adianta que deve articular, junto à
Fundação Nacional do Índio (Funai), a demarcação das terras em prol do povo anacé.

Confirmação
O Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace) atesta que o Cambeba está na área do CIPP que, por decreto, é de utilidade pública.
A informação, porém, não confirma que o cemitério esteja num dos terrenos oferecidos para estudos. “São 33 mil hectares. Algo (complexo) dessa natureza sempre envolve áreas muito grandes”, explica o diretor-técnico do Idace, Ricardo Durval. A Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), por sua vez, confirma que duas áreas – em Caucaia e São Gonçalo do Amarante – foram definidas para estudos.
A agência, porém, não revela se o Cambeba está ou não no terreno de Caucaia. Até o fechamento desta edição, O POVO não recebeu resposta. A Prefeitura de Caucaia informa que não se pronuncia sobre o assunto.

Fonte: Anaind / HOME PAGE JORNAL O POVO

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Um Comentário

  1. João de Alencar

    Alguma definição do local exato do terreno ?

    Tenho ascendência Anacé, oriunda de minha bisavó, e neste cemitério descansam os restos mortais de vários avoengos, alguns não de origem indígena.

    Pediria informações, pois o assunto é de meu interesse pelos motivos acima mencionados.

    Obrigado.

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