Comunidades indígenas têm Câmara de Discussão na FJA

O reconhecimento da cultura indígena e de seus remanescentes no Estado, que contam com alguns grupos independentes de luta para valorização dessa etnia, agora é também assunto institucional. Foi criada ontem a Câmara Setorial para Assuntos Indígenas, que terá na Fundação José Augusto o ponto de encontro e de mediação entre as pessoas e setores interessados. Antes da primeira reunião, um grupo de 35 alunos da Escola Estadual Potiguaçu, em Igapó, apresentou danças e cantos na língua Guarani, num projeto desenvolvido pelo professor Alcides Sales, dentro daquela comunidade escolar, no qual as crianças aprendem a língua falada pelos seus ancestrais indígenas, e também ficam sabendo da cultura, da história, do artesanato e da culinária. Sales é um dos entusiastas da valorização indígena há muitos anos e vê na Câmara Setorial uma possibilidade de articular e fortalecer o movimento indígena no Estado.

Um dos pontos mais marcantes de discussão na criação da Câmara Setorial para Assuntos Indígenas diz respeito ao Auto-Reconhecimento de três comunidades indígenas no Estado: Catu, que fica em Canguaretama; Os Mendonças, em João Câmara e a junção das duas comunidades Os Caboclo e Bangüê. Desde 2005 tramita o processo de pedido de reconhecimento dessas áreas. De acordo com Alcides Sales, que será o mediador entre FJA e grupos ligados ao movimento indígena, assim como também a irmã Terezinha, que vive há 18 anos na Comunidade dos Mendonças, esse reconhecimento federal é muito importante para a sobrevivência dessas comunidades principalmente no que diz respeito à regularização fundiária. Uma vez que isso permite a inserção de políticas públicas de infra-estrutura, saúde, educação. A exemplo do que já ocorre com as comunidades quilombolas.

‘‘Eles são muito desprezados, marginalizados, e vivem em extrema pobreza, sobrevivendo apenas do beneficiamento da castanha do caju. E não podemos esquecer que eles são os primeiros habitantes do Mato Grande (são remanescentes dos Tapuia) e com a regularização da terra deles, há a possibilidade de o Governo Federal poder entrar com políticas que ainda não chegam”. Dessas, segundo ela, 250 ainda não tem sua terra. As demais estão no Assentamento Santa Terezinha, uma conquista que ajuda, mas não resolve todo o problema.

Segundo Alcides Sales a retomada de identidade indígena é bem forte no Ceará e a Fundação Nacional do Índio (Funai) já reconheceu comunidades como Papeba, Tremembé, Jenipapo e Canindé.

Fonte: Diário de Nstal
http://diariodenatal.dnonline.com.br

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